Eram adolescentes, quase crianças, que usavam tênis, calça jeans, tranças, cabeludos alguns, piercing, tatuagem, gostavam
de rap, rock, cantavam, dançavam, tinham problemas, porque a adolescência
é uma fase de interrogações e de poucas respostas, mas amavam a vida e
o espelho. A vida era o espelho. E através dele choravam, quando uma espinha
surgia sem pedir licença. Sorriam, quando se achavam bonitos. Eram seres comuns com a esperança de um futuro e sonhos que faziam a vida melhor.
De repente alguém chegou e numa fração de segundos foi apontando armas e
atirando, tirando vidas, tirando sonhos. Gritos, horror, ameaças, pingos de sangue para todos os lados como se fossem chuva, com a diferença que ela faz brotar os flores e os frutos, e ali, dentro de uma escola, eram caladas uma a uma as vozes dos adolescentes.
Como estará o coração dos pais, dos professores, da equipe pedagógica, da direção, dos colegas que permanecem vivos para contar tristemente o ocorrido?
Escola,já disse Paulo Freire: é o lugar que se faz amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários e conceitos. Escola é sobretudo gente".
Infelizmente, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo,Zona Oeste do Rio de Janeiro,
não será mais a mesma e terá por muito tempo a noção que escola é um lugar triste, cheio de
resquícios de maldade e com a saudade daqueles todos que se foram sem entender nada e nem
o porquê.
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