sexta-feira, 8 de abril de 2011

Que dor se esconde diante da morte?

         Eram adolescentes, quase crianças, que usavam tênis, calça jeans, tranças, cabeludos alguns,  piercing, tatuagem, gostavam
de rap, rock, cantavam, dançavam, tinham problemas, porque a adolescência
é uma fase de interrogações e de poucas respostas, mas amavam a vida e
o espelho. A vida era o espelho. E através dele choravam, quando uma espinha
surgia sem pedir licença. Sorriam, quando se achavam bonitos. Eram seres comuns com a esperança de um futuro e sonhos que faziam a vida melhor.
         De repente alguém chegou e numa fração de segundos foi apontando armas e 
atirando, tirando vidas, tirando sonhos. Gritos, horror, ameaças, pingos de sangue para todos os lados como se fossem chuva, com a diferença que ela faz brotar os flores e os frutos,  e ali, dentro de uma escola, eram caladas uma a uma as vozes dos adolescentes.
          Como estará o coração dos pais, dos professores, da equipe pedagógica, da direção, dos colegas que permanecem vivos para contar tristemente o ocorrido?
          Escola,já disse Paulo Freire: é o lugar que se faz amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários e conceitos. Escola é sobretudo gente".
Infelizmente, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo,Zona Oeste do Rio de Janeiro,
não será mais a mesma e terá por muito tempo a noção que escola é um lugar triste, cheio de
resquícios de maldade e com a saudade daqueles todos que se foram sem entender nada e nem
o porquê.

            Elaine de Lourdes Pereira Oliveira




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